Assembleias de acionistas aprovaram, dia 3 de julho, a incorporação das ações da Anhanguera pela Kroton, concluindo o processo de fusão entre as duas empresas, iniciada em abril de 2013. Em maio último, a transação tinha sido aprovada, com restrições, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A operação consolida a Kroton como maior grupo educacional do mundo e do Brasil e confirma a tendência de concentração do setor no país. A empresa está avaliada em R$ 22,5 bilhões e possui 1,5 milhão de alunos, dos quais 1,1 milhão no ensino superior, 290 mil na educação básica e o restante em cursos técnicos e livres (dados de 2014, extraídos do site da Kroton).
Expansão
Com uma política agressiva de expansão, a Kroton é um exemplo agudo das mudanças no ensino superior ocorridas nos últimos anos.
Estimulados por programas de financiamento estudantil bancado pelo governo federal (Prouni, Fies) grandes grupos procuram abocanhar fatias cada vez maior de alunos. Uma das estratégias é a fusão ou aquisição de outras instituições, acentuando a tendência de concentração econômica do setor.
Em 2013, 31% das matrículas em graduação nas instituições privadas vinham de bolsas do Prouni ou financiamento do Fies (em 2010, eram 11%).
A participação de recursos públicos tende a crescer e não apenas nos cursos de graduação. Em julho último, uma portaria estendeu o Fies também para cursos de pós-graduação stricto sensu e cursos de educação profissional técnica de ensino médio.
O Pronatec, criado em 2011, estimulou a abertura de vagas em cursos técnicos e profissionais, abrindo mais um campo de investimento para as IES privadas. No último dia 04, por exemplo, a Kroton anunciou ter recebido autorização do MEC para 28.104 vagas, leia-se “bolsas” no programa.
O uso de recursos públicos na educação privada, por meio do financiamento estudantil e diversos programas, também foi reafirmado no artigo 5º, parágrafo 4º, do Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/2014), sancionado dia 25/06.
Trabalhadores
Para professores e demais trabalhadores, a concentração de instituições de ensino por grandes grupos econômicos também traz consequências.
Em 2011, a Anhanguera demitiu 1.600 professores, quase 40% do corpo docente, das instituições que tinha acabado de comprar, alegando necessidade de reestruturação.
Além disso, se alguém sai de uma faculdade terá menos chances de ser contratado por outra do mesmo mantenedor. O exemplo mais evidente está no ABC paulista, onde a Anhanguera controla boa parte das IES (UniABC, Uniban, UniA, Anchieta e Faenac).
Do ponto de vista pedagógico, as consequências também são danosas. Com unidades espalhadas em diversas regiões, essas empresas tendem a padronizar os cursos – conteúdos, avaliação e material didático -, eliminando a autonomia da prática docente.
(Fonte: Federação dos Professores do Estado de São Paulo)